
A mostra que chega agora ao MASP reúne, além das belas esculturas do artista francês, também uma rara e praticamente desconhecida coleção fotográfica das obras de Rodin, feitas por importantes fotógrafos pioneiros sob a coordenação do escultor parisiense
Estreou esta semana no MASP, Museu de Arte de São Paulo, uma das mais importantes exposições do escultor francesas já realizadas no Brasil.
Isso tanto pela proporção da mostra apresentada, com quase 200 trabalhos de Rodin, quanto pela dificuldade destas obras saírem de sua residência oficial, o Museu Rodin parisiense.
Este é o caso de peças como "As Três Sombras" e "Monumento à Balzac" que saiu pela primeira vez em sua história dos jardins da instituição francesa.
"Rodin: Do Ateliê ao Museu - Fotografias e Esculturas", que chega agora na capital paulista apresente um recorte imperdível da obra de Auguste Rodin, pioneiro da escultura moderna.
Os trabalhos foram Realizados entre 1880 e 1910, período que marca o apogeu da criatividade do artista. Apesar de seu vigor e monumentalidade, as obras,como ressaltou a curadoria da exposição, são incrivelmente frágeis, daí a dificuldade de saírem de sua residência em Paris.
Hélène Pinet explica que, depois de encerrada a exposição em São Paulo, todas as esculturas deverão ser colocadas em um repouso que durará pelo menos 20 anos.
Falando das fotografias presentes na exposição Pinet esclarece que "é um conjunto precioso, que foi mostrado pela primeira vez em Paris, entre 2007 e 2008, e depois veio para essas duas etapas no Brasil", se referindo a anterior exibição que as obras tiveram recentemente em Belo Horizonte.
Para a exposição brasileira, juntamente com as fotografias, que eram o centro da mostra francesa, também foram deslocadas peças essenciais do acervo do artista que também são representadas nas imagens realizadas sob a coordenação do artista na época em que a fotografia dava ainda seus primeiros passos.
Ainda assim, o eixo principal da exposição são os registros fotográficos das esculturas. Realizados por fotógrafos célebres e desconhecidos, o registro fotográfico de suas peças foi uma das preocupações principais do escultor durante as três décadas em questão. Utilizado quase como um registro pictórico destas famosas esculturas.
A exposição começa com os primeiros registros fotográficos realizados sob a coordenação de Rodin com fins, no início, puramente publicitários, para facilitar a divulgação da obra do modernista. Já na segunda sala, que agrupa trabalhos da década de 1890, já se pode perceber uma modificação na relação de Rodin com as fotos de suas peças, com uma abordagem mais propriamente artística, com ângulo, enquadramentos e iluminação as mais expressivas possíveis. Foi a época em que trabalhou com ele fotógrafos como Jacques-Ernest Bulloz e Eugène Druet. Este último, o favorito de Rodin, a quem o artista "dirigia" em suas sessões fotográficas.
O que a exposição procura ressaltar é que cada vez mais a fotografia vai ganhando espaço e autonomia em relação às obras do francês, formando de fato, um recorte a parte em sua produção. Tanto que ao final da vida, Rodin havia coordenado minuciosamente, e arquivado, mais de sete mil imagens de suas esculturas.
Outro grupo de fotógrafos que merece destaque na exposição,são os pictorialistas ingleses, como Stephen Haweis e Henry Coles, na época, considerados amadores. Eles, no entanto, foram capazes de criar obras sem igual, tanto nas dependências do ateliê de Rodin, quanto em seus majestosos jardins.
A parte mais importante da mostra fica na última sala. As obras realizadas pelo fotógrafo Edward Steichen, mais importante colaborador de Rodin. Autor de inúmeras imagens que entraram já para a história da fotografia, particularmente sua série de 1908, retratando a escultura em homenagem à Balzac, na época, em fase de execução.
O parisiense Auguste Rodin, nascido em 1840, viria a tornar-se um dos mais representativos nomes da escultura no século XX além de um dos grandes pioneiros do movimento de renovação das técnicas escultóricas que abriria caminho para a escultura moderna.
Iniciando sua vida como talhador em um fabricante de enfeites domésticos, em 1863, Rodin ingressou em uma empresa de peças escultóricas para arquitetura que teve bastante influência sobre sua decisão de dedicar-se à escultura.
Tendo sempre que manter o emprego para se sustentar, Rodin expôs uma escultura sua pela primeira vez apenas no Salão de 1877. Era um grandioso nu masculino intitulado “A Idade do Bronze”. Peça inovadora que suscitou tanto elogios quanto duras críticas pela vigorosa naturalidade da peça. Uma delas foi a hoje cômica acusação, de que Rodin teria fundido um pedaço da "vida" ao metal. Crítica que só pode ser entendida se levado em consideração os cânones estéticos então em vigor, que previa a idealização e distanciamento clássico nas obras de artes plásticas. Crítica similar à que recebeu Manet por suas obras "Olympia", ou "Almoço na Relva". A "vulgaridade" de suas representações.
Mas foram também muitos os seus admiradores, que provavelmente viam uma virtude onde seus críticos consideravam um vício. Desde então Rodin passou a ter sua atividade patrocinada e sustentada por um de seus primeiros entusiastas, o subsecretário das Belas-Artes francesas, Turquet. Posteriormente, esta obra, bem como seu São João foram incorporadas à decoração dos Jardins de Luxemburgo, em Paris.
Na década de 1880, com seu nome já assentado, Rodin recebeu do governo francês um grande ateliê, onde o escultor trabalharia durante toda a vida. Trabalhando sempre a partir de encomendas, Rodin se dedicaria, durante os quase vinte anos seguintes, à execução de uma destas encomendas. A Porta do Inferno, inspirada no romance de Dante. A escultura, composta por quase duzentas peças acabaria permanentemente inacabada. Mas diversos componentes dela acabaram famosas como obras-primas independentes, como foi o caso do conjunto Adão e Eva, de O Pensador, A Bela Heaulmière, e o grupo Os Burgueses de Calais. Todas situadas entre suas criações mais importantes.
Outras obras igualmente inovadoras e expressivas do estilo do escultor, foram os monumentos em homenagem a Victor Hugo e a Balzac. Além destas, o escultor também é conhecido pelos mármores O Beijo, Danaê, A Banhista, Pigmalião e Galatea, Ugolino, e A Mão de Deus.
Os acervos mais importantes de sua obra encontram-se no Museu Rodin, em Paris e no Metropolitan Museum, em Nova Iorque. Sendo que peças também expressivas de sua produção também podem ser encontradas em coleções menores de museus por todo o mundo.
Rodin foi uma figura central na consolidação de estilos escultóricos modernos já na virada do século. Com um trabalho considerado afim ao que realizavam os impressionistas na pintura, Rodin valorizou em suas peças, acima de tudo, a leveza, a expressividade e a naturalidade dos gestos. Como se suas figuras houvessem sido flagradas em meio a um gesto corriqueiro, uma posição de dança, um espreguiçamento, um abraço ou um pensamento. Rodin tornou-se um dos mestres justamente por privilegiar não a técnica em si - da qual ele dominava com virtuosismo - mas a expressão de suas imagens, a carga emotiva e poética que ela era capaz de transmitir. Essa é a qualidade que se desprende de seus melhores trabalhos e que o público poderá testemunha nesta grande mostra paulista em cartaz agora no MASP.
Em nossa Campina Grande continuamos carentes de espaços destinados a produção e exposição de obras artístico-culturais, a exemplo do teatro que não sabemos se realmente está sendo reformado ou somente fechado pela “virtuosa” Prefeitura municipal. Continuaremos somando energias para que a UEPB possa usar o novo museu de arte Assis Chateaubriand ,que está sendo construído no bairro do Catolé, para ali instalar a ESCOLA DE BELAS ARTES na nossa Universidade Pública Estadual; Seria mais uma iniciativa pioneira da UEPB e de Campina... Essa idéia nasceu da necessidade dos artistas da região e da carência de uma Escola de Belas artes, visto que a mais próxima é em Salvador-BA
Divulgação:
"Rodin: Do Ateliê ao Museu"
MASP - Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand
Av. Paulista, 1.578.
Aberta das 11h às 18h.
Às quintas-feiras, até as 20h
Até dia 13 de dezembro
Entrada: R$ 15,00
Às terças-feiras a entrada é franca.
Fone. (11) 3251- 5644.
Nenhum comentário:
Postar um comentário