quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Artes Plásticas Obras raras de Auguste Rodin chegam a São Paulo


A mostra que chega agora ao MASP reúne, além das belas esculturas do artista francês, também uma rara e praticamente desconhecida coleção fotográfica das obras de Rodin, feitas por importantes fotógrafos pioneiros sob a coordenação do escultor parisiense

Estreou esta semana no MASP, Museu de Arte de São Paulo, uma das mais importantes exposições do escultor francesas já realizadas no Brasil.
Isso tanto pela proporção da mostra apresentada, com quase 200 trabalhos de Rodin, quanto pela dificuldade destas obras saírem de sua residência oficial, o Museu Rodin parisiense.
Este é o caso de peças como "As Três Sombras" e "Monumento à Balzac" que saiu pela primeira vez em sua história dos jardins da instituição francesa.
"Rodin: Do Ateliê ao Museu - Fotografias e Esculturas", que chega agora na capital paulista apresente um recorte imperdível da obra de Auguste Rodin, pioneiro da escultura moderna.
Os trabalhos foram Realizados entre 1880 e 1910, período que marca o apogeu da criatividade do artista. Apesar de seu vigor e monumentalidade, as obras,como ressaltou a curadoria da exposição, são incrivelmente frágeis, daí a dificuldade de saírem de sua residência em Paris.
Hélène Pinet explica que, depois de encerrada a exposição em São Paulo, todas as esculturas deverão ser colocadas em um repouso que durará pelo menos 20 anos.
Falando das fotografias presentes na exposição Pinet esclarece que "é um conjunto precioso, que foi mostrado pela primeira vez em Paris, entre 2007 e 2008, e depois veio para essas duas etapas no Brasil", se referindo a anterior exibição que as obras tiveram recentemente em Belo Horizonte.
Para a exposição brasileira, juntamente com as fotografias, que eram o centro da mostra francesa, também foram deslocadas peças essenciais do acervo do artista que também são representadas nas imagens realizadas sob a coordenação do artista na época em que a fotografia dava ainda seus primeiros passos.
Ainda assim, o eixo principal da exposição são os registros fotográficos das esculturas. Realizados por fotógrafos célebres e desconhecidos, o registro fotográfico de suas peças foi uma das preocupações principais do escultor durante as três décadas em questão. Utilizado quase como um registro pictórico destas famosas esculturas.
A exposição começa com os primeiros registros fotográficos realizados sob a coordenação de Rodin com fins, no início, puramente publicitários, para facilitar a divulgação da obra do modernista. Já na segunda sala, que agrupa trabalhos da década de 1890, já se pode perceber uma modificação na relação de Rodin com as fotos de suas peças, com uma abordagem mais propriamente artística, com ângulo, enquadramentos e iluminação as mais expressivas possíveis. Foi a época em que trabalhou com ele fotógrafos como Jacques-Ernest Bulloz e Eugène Druet. Este último, o favorito de Rodin, a quem o artista "dirigia" em suas sessões fotográficas.
O que a exposição procura ressaltar é que cada vez mais a fotografia vai ganhando espaço e autonomia em relação às obras do francês, formando de fato, um recorte a parte em sua produção. Tanto que ao final da vida, Rodin havia coordenado minuciosamente, e arquivado, mais de sete mil imagens de suas esculturas.
Outro grupo de fotógrafos que merece destaque na exposição,são os pictorialistas ingleses, como Stephen Haweis e Henry Coles, na época, considerados amadores. Eles, no entanto, foram capazes de criar obras sem igual, tanto nas dependências do ateliê de Rodin, quanto em seus majestosos jardins.
A parte mais importante da mostra fica na última sala. As obras realizadas pelo fotógrafo Edward Steichen, mais importante colaborador de Rodin. Autor de inúmeras imagens que entraram já para a história da fotografia, particularmente sua série de 1908, retratando a escultura em homenagem à Balzac, na época, em fase de execução.
O parisiense Auguste Rodin, nascido em 1840, viria a tornar-se um dos mais representativos nomes da escultura no século XX além de um dos grandes pioneiros do movimento de renovação das técnicas escultóricas que abriria caminho para a escultura moderna.
Iniciando sua vida como talhador em um fabricante de enfeites domésticos, em 1863, Rodin ingressou em uma empresa de peças escultóricas para arquitetura que teve bastante influência sobre sua decisão de dedicar-se à escultura.
Tendo sempre que manter o emprego para se sustentar, Rodin expôs uma escultura sua pela primeira vez apenas no Salão de 1877. Era um grandioso nu masculino intitulado “A Idade do Bronze”. Peça inovadora que suscitou tanto elogios quanto duras críticas pela vigorosa naturalidade da peça. Uma delas foi a hoje cômica acusação, de que Rodin teria fundido um pedaço da "vida" ao metal. Crítica que só pode ser entendida se levado em consideração os cânones estéticos então em vigor, que previa a idealização e distanciamento clássico nas obras de artes plásticas. Crítica similar à que recebeu Manet por suas obras "Olympia", ou "Almoço na Relva". A "vulgaridade" de suas representações.
Mas foram também muitos os seus admiradores, que provavelmente viam uma virtude onde seus críticos consideravam um vício. Desde então Rodin passou a ter sua atividade patrocinada e sustentada por um de seus primeiros entusiastas, o subsecretário das Belas-Artes francesas, Turquet. Posteriormente, esta obra, bem como seu São João foram incorporadas à decoração dos Jardins de Luxemburgo, em Paris.
Na década de 1880, com seu nome já assentado, Rodin recebeu do governo francês um grande ateliê, onde o escultor trabalharia durante toda a vida. Trabalhando sempre a partir de encomendas, Rodin se dedicaria, durante os quase vinte anos seguintes, à execução de uma destas encomendas. A Porta do Inferno, inspirada no romance de Dante. A escultura, composta por quase duzentas peças acabaria permanentemente inacabada. Mas diversos componentes dela acabaram famosas como obras-primas independentes, como foi o caso do conjunto Adão e Eva, de O Pensador, A Bela Heaulmière, e o grupo Os Burgueses de Calais. Todas situadas entre suas criações mais importantes.
Outras obras igualmente inovadoras e expressivas do estilo do escultor, foram os monumentos em homenagem a Victor Hugo e a Balzac. Além destas, o escultor também é conhecido pelos mármores O Beijo, Danaê, A Banhista, Pigmalião e Galatea, Ugolino, e A Mão de Deus.
Os acervos mais importantes de sua obra encontram-se no Museu Rodin, em Paris e no Metropolitan Museum, em Nova Iorque. Sendo que peças também expressivas de sua produção também podem ser encontradas em coleções menores de museus por todo o mundo.
Rodin foi uma figura central na consolidação de estilos escultóricos modernos já na virada do século. Com um trabalho considerado afim ao que realizavam os impressionistas na pintura, Rodin valorizou em suas peças, acima de tudo, a leveza, a expressividade e a naturalidade dos gestos. Como se suas figuras houvessem sido flagradas em meio a um gesto corriqueiro, uma posição de dança, um espreguiçamento, um abraço ou um pensamento. Rodin tornou-se um dos mestres justamente por privilegiar não a técnica em si - da qual ele dominava com virtuosismo - mas a expressão de suas imagens, a carga emotiva e poética que ela era capaz de transmitir. Essa é a qualidade que se desprende de seus melhores trabalhos e que o público poderá testemunha nesta grande mostra paulista em cartaz agora no MASP.
Em nossa Campina Grande continuamos carentes de espaços destinados a produção e exposição de obras artístico-culturais, a exemplo do teatro que não sabemos se realmente está sendo reformado ou somente fechado pela “virtuosa” Prefeitura municipal. Continuaremos somando energias para que a UEPB possa usar o novo museu de arte Assis Chateaubriand ,que está sendo construído no bairro do Catolé, para ali instalar a ESCOLA DE BELAS ARTES na nossa Universidade Pública Estadual; Seria mais uma iniciativa pioneira da UEPB e de Campina... Essa idéia nasceu da necessidade dos artistas da região e da carência de uma Escola de Belas artes, visto que a mais próxima é em Salvador-BA

Divulgação:

"Rodin: Do Ateliê ao Museu"

MASP - Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand
Av. Paulista, 1.578.
Aberta das 11h às 18h.
Às quintas-feiras, até as 20h
Até dia 13 de dezembro
Entrada: R$ 15,00
Às terças-feiras a entrada é franca.
Fone. (11) 3251- 5644.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Dieese mostra que economia suporta jornada de trabalho menor



O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) apresentou estudo com 17 argumentos a favor da proposta de redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais
Entre os principais pontos de um estudo feito pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) sobre a proposta de redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, está a constatação de que a jornada de trabalho no Brasil é uma das maiores no mundo. O estudo também aponta que, no Brasil, além da extensa jornada, não há limite semanal, mensal ou anual para a execução de horas extras.
Isso, segundo o Dieese, torna a taxa de realização de horas extras no País uma das mais altas no mundo.
Além de ter capacidade de reduzir a jornada de trabalho sem queda no faturamento das empresas, o estudo revela que a economia pode gerar novos postos de trabalho, já que o país registrou crescimento econômico nos últimos cinco anos e tem perspectivas positivas para o futuro.
"O tempo de trabalho total, além de extenso, está cada vez mais intenso, em função de diversas inovações técnico-organizacionais implementadas pelas empresas, como a polivalência, o just in time, as metas e a redução das pausas", diz o trabalho do Dieese.
Segundo o departamento, a atual jornada de trabalho de 44 horas semanais está provocando o aumento dos índices de faltas e o aparecimento de um número maior de pessoas doentes por estresse, depressão, hipertensão, distúrbios no sono e lesões por esforços repetitivos.
Além disso, segundo o estudo, não haveria aumento significativo de custos para as empresas. "Uma redução da jornada de trabalho de 44 horas para 40 horas semanais representaria um aumento no custo total de produção de apenas 1,99%", defende o texto.
Na comissão geral realizada ontem, o diretor técnico do Dieese, Clemente Ganz Lúcio, afirmou que a decisão sobre redução da jornada de trabalho é eminentemente política.
"O Brasil está preparado para conduzir uma redução da jornada de trabalho que elevará a qualidade de vida do seu povo e garantirá produtividade às empresas", defendeu Clemente.
Ele destacou que o crescimento da produtividade da indústria nos últimos 20 anos é de quase de 85% e que o Brasiltem um custo/hora/trabalho em dólar de 5,94%, um dos mais baixos do mundo. A mudança na legislação está prevista na proposta de emenda à Constituição debatida na Câmara. (Com Diap/Agência Informes)
A produtividade do trabalho e o enorme lucro subsidiado nas maiores empresas, tornam a jornada de trabalho um verdadeiro “trabalho voluntário” em prol do grande capital; Para que tenhamos tempo de ler, caminhar, pensar, precisamos diminuir a jornada de trabalho periodicamente. 35 horas semanais sem reduzir salários, por uma vida menos explorada já!

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Ativistas e intelectuais divulgam novo manifesto em defesa do MST



Em novo manifesto de solidariedade, redigido após a série de ataques feita pela mídia e a oposição de direita contra o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), intelectuais e ativistas declaram apoio ao MST e convocam os setores comprometidos com as lutas a se engajarem em um movimento contra a criminalização das lutas sociais. Veja, abaixo, a íntegra do documento:
Contra a violência do agronegócio e a criminalização das lutas sociais

As grandes redes de televisão repetiram à exaustão, há algumas semanas, imagens da ocupação realizada por integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) em terras que seriam de propriedade do Sucocítrico Cutrale, no interior de São Paulo. A mídia foi taxativa em classificar a derrubada de alguns pés de laranja como ato de vandalismo.

Uma informação essencial, no entanto, foi omitida: a de que a titularidade das terras da empresa é contestada pelo Incra e pela Justiça. Trata-se de uma grande área chamada Núcleo Monções, que possui cerca de 30 mil hectares. Desses 30 mil hectares, 10 mil são terras públicas reconhecidas oficialmente como devolutas e 15 mil são terras improdutivas. Ao mesmo tempo, não há nenhuma prova de que a suposta destruição de máquinas e equipamentos tenha sido obra dos sem-terra.

Na ótica dos setores dominantes, pés de laranja arrancados em protesto representam uma imagem mais chocante do que as famílias que vivem em acampamentos precários desejando produzir alimentos.

Bloquear a reforma agrária

Há um objetivo preciso nisso tudo: impedir a revisão dos índices de produtividade agrícola – cuja versão em vigor tem como base o censo agropecuário de 1975 – e viabilizar uma CPI sobre o MST. Com tal postura, o foco do debate agrário é deslocado dos responsáveis pela desigualdade e concentração para criminalizar os que lutam pelo direito do povo. A revisão dos índices evidenciaria que, apesar de todo o avanço técnico, boa parte das grandes propriedades não é tão produtiva quanto seus donos alegam e estaria, assim, disponível para a reforma agrária.

Para mascarar tal fato, está em curso um grande operativo político das classes dominantes objetivando golpear o principal movimento social brasileiro, o MST. Deste modo, prepara-se o terreno para mais uma ofensiva contra os direitos sociais da maioria da população brasileira.

O pesado operativo midiático-empresarial visa isolar e criminalizar o movimento social e enfraquecer suas bases de apoio. Sem resistências, as corporações agrícolas tentam bloquear, ainda mais severamente, a reforma agrária e impor um modelo agroexportador predatório em termos sociais e ambientais, como única alternativa para a agropecuária brasileira.

Concentração fundiária

A concentração fundiária no Brasil aumentou nos últimos dez anos, conforme o Censo Agrário do IBGE. A área ocupada pelos estabelecimentos rurais maiores do que mil hectares concentra mais de 43% do espaço total, enquanto as propriedades com menos de 10 hectares ocupam menos de 2,7%. As pequenas propriedades estão definhando enquanto crescem as fronteiras agrícolas do agronegócio.

Conforme a Comissão Pastoral da Terra (CPT, 2009) os conflitos agrários do primeiro semestre deste ano seguem marcando uma situação de extrema violência contra os trabalhadores rurais. Entre janeiro e julho de 2009 foram registrados 366 conflitos, que afetaram diretamente 193.174 pessoas, ocorrendo um assassinato a cada 30 conflitos no 1º semestre de 2009. Ao todo, foram 12 assassinatos, 44 tentativas de homicídio, 22 ameaças de morte e 6 pessoas torturadas no primeiro semestre deste ano.

Não violência

A estratégia de luta do MST sempre se caracterizou pela não violência, ainda que em um ambiente de extrema agressividade por parte dos agentes do Estado e das milícias e jagunços a serviço das corporações e do latifúndio. As ocupações objetivam pressionar os governos a realizar a reforma agrária.

É preciso uma agricultura socialmente justa, ecológica, capaz de assegurar a soberania alimentar e baseada na livre cooperação de pequenos agricultores. Isso só será conquistado com movimentos sociais fortes, apoiados pela maioria da população brasileira.

Contra a criminalização das lutas sociais

Convocamos todos os movimentos e setores comprometidos com as lutas a se engajarem em um amplo movimento contra a criminalização das lutas sociais, realizando atos e manifestações políticas que demarquem o repúdio à criminalização do MST e de todas as lutas no Brasil.

Assinam esse documento:

Eduardo Galeano - Uruguai
István Mészáros - Inglaterra
Ana Esther Ceceña - México
Boaventura de Souza Santos - Portugal
Daniel Bensaid - França
Isabel Monal - Cuba
Michael Lowy - França
Claudia Korol - Argentina
Carlos Juliá – Argentina
Miguel Urbano Rodrigues - Portugal
Carlos Aguilar - Costa Rica
Ricardo Gimenez - Chile
Pedro Franco - República Dominicana


Brasil:

Antonio Candido
Ana Clara Ribeiro
Anita Leocadia Prestes
Andressa Caldas
André Vianna Dantas
André Campos Búrigo
Augusto César
Carlos Nelson Coutinho
Carlos Walter Porto-Gonçalves
Carlos Alberto Duarte
Carlos A. Barão
Cátia Guimarães
Cecília Rebouças Coimbra
Ciro Correia
Chico Alencar
Claudia Trindade
Claudia Santiago
Chico de Oliveira
Demian Bezerra de Melo
Emir Sader
Elias Santos
Eurelino Coelho
Eleuterio Prado
Fernando Vieira Velloso
Gaudêncio Frigotto
Gilberto Maringoni
Gilcilene Barão
Irene Seigle
Ivana Jinkings
Ivan Pinheiro
José Paulo Netto
Leandro Konder
Luis Fernando Veríssimo
Luiz Bassegio
Luis Acosta
Lucia Maria Wanderley Neves
Marcelo Badaró Mattos
Marcelo Freixo
Marilda Iamamoto
Mariléa Venancio Porfirio
Mauro Luis Iasi
Maurício Vieira Martins
Otília Fiori Arantes
Paulo Arantes
Paulo Nakatani
Plínio de Arruda Sampaio
Plínio de Arruda Sampaio Filho
Renake Neves
Reinaldo A. Carcanholo
Ricardo Antunes
Ricardo Gilberto Lyrio Teixeira
Roberto Leher
Sara Granemann
Sandra Carvalho
Sergio Romagnolo
Sheila Jacob
Virgínia Fontes
Vito Giannotti

Para subscrever esse manifesto, clique no link: http://www.petitiononline.com/boit1995/petition.html

domingo, 25 de outubro de 2009

SUS perde 26% dos leitos em hospitais privados




Um levantamento feito pelo Ministério da Saúde mostrou que o Sistema Único de Saúde perdeu 26% dos leitos dos hospitais privados. De acordo o levantamento “os hospitais privados estão reservando aos clientes dos planos de saúde os leitos que antes eram destinados aos doentes do Sistema Único de Saúde. Entre 2000 e 2009, apesar do crescimento da população, a quantidade de leitos do SUS -em hospitais públicos e em hospitais privados conveniados ao governo- caiu 26%, segundo o Ministério da Saúde” (Folha de São Paulo, 23/10/2009).
Entre os anos de 1995 e 2007 a participação do SUS em hospitais privados reduziu de 68,8% para 55,5%. A queda no número de leitos do SUS e, conseqüentemente, a piora no atendimento da saúde pública é reflexo da política criminosa dos governos burgueses que ao invés de investir na saúde, construindo novos hospitais e mais leitos, optou por entregar para os tubarões da saúde o dinheiro da população, pagando ao sistema privado os valores das internações, dinheiro esse que poderia ser investido no próprio SUS. Essa política é tão criminosa que mesmo não investindo na saúde, os governos não obrigaram sequer os hospitais de rede particular reservar leitos para o SUS, deixando a população completamente desamparada.
O interessante disso tudo é que hospitais como o Real hospital português e outras fundações são declarados como filantrópicos, mesmo tendo somente uma pequena porcentagem dos leitos destinados ao Sistema único de Saúde.
Em conversa franca com um ex-secretário de Saúde do município de Campina Grande, este me relatou a pressão das já conhecidíssimas “forças ocultas”, nem tão ocultas assim como frisou certa feita o ex-vereador Robson Dutra que identificou certos predicados que ao seu ver cabem a algumas peças desse jogo; o esquema muito bem representado força a centralização no atendimento da saúde publica nos hospitais, em demérito dos PSFs e das necessárias clínicas públicas de atendimento descentralizado nos bairros, clínicas que nunca foram construídas e nem serão se depender da política de saúde desenvolvida em nosso país. A idéia é simples, os movimentos sociais defendem e cobram um sistema de saúde descentralizado, que ao invés de remediar doenças , as evite, é a chamada profilaxia, para isso as pessoas precisam se envolver nessa construção, os sindicatos não discutem o maior plano de saúde nacional, o SUS, os conselhos de saúde não são transparentes e as pessoas nem sabem que estes conselhos existem. Uma boa sugestão é discutir o SUS em todos os espaços, os conselhos escolares podem participar elencando suas demandas neste quesito, com isso poderíamos ter dados precisos sobre as políticas de saúde a serem desenvolvidas em áreas específicas, dotando de democracia radical a participação dos usuários do sistema, geralmente a parcela mais carente de nossa população... Vamos pensar nisso...